segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Antecipações do Inferno


Três pessoas são presas durante reintegração de posse em São Paulo

24/08 - 08:05 , atualizada às 19:13 24/08 - Redação com Agência Estado

SÃO PAULO - Três pessoas foram presas durante a reintegração de posse realizada nesta segunda-feira em um terreno particular no Capão Redondo, na zona sul da capital paulista. Duas pessoas atiraram rojões contra a Tropa de Choque e outra furou o bloqueio dos policiais, atropelando um deles, segundo informações da Polícia Militar (PM).


No texto acima, recortado do site www.ig.com.br, vemos a descrição de uma situação de grande aflição vivida pelos moradores de uam favela, erguida em um terreno que pertence à uma empresa de ônibus, que pela força da lei, agora o recebia de volta. Há uma série de fotos publicada neste informativo que sensibilizam o coração mais endurecido. Esta foto, em especial, mostra uma mãe provável, agarrada a seu filho, em pranto desesperado. São os momentos em que a realidade da miséria e das desigualdades sociais alcançam níveis extremos. Esta criança, sendo carregada e protegida das chamas, sinaliza para a possibilidade de um inferno real, existencial, não o lugar criado e utilizado como instrumento de opressão e domínio pela religiosidade da Idade Média, quando as pessoas pagavam indulgências para não serem devoradas pela fúria das chamas de um Deus irado, mas uma experiência de total desespero, verdadeiras "chamas de aflição", que queimam a pele, a alma e a dignidade. Tudo parece virar cinzas para sempre.

Mas somos aqueles que cremos, criamos e ensinamos a utopia do Reino agora. O "ainda não", durante muito tempo dominou nossa escatologia e visão de futuro. Na Idade Média os camponeses eram apaziguados em seu estado de miséria absoluta sonhando com o céu da inversão, onde teriam comida e habitação farta, e assim pacificamente aceitavam a tirania dos nobres e de um clero cristão sem Cristo. No Brasil, atualmente, outras tiranias se manifestam; da mesma forma manipulam a pobreza e a miséria para manter também suas posições nobres e hereditárias ou seus cleros com togas de cordeiro sobre os pelos de lobos.

"O Reino de Deus já começou", este foi o tema da pregação de Jesus. Cristo"O Reino está em Cristo", anunciou a Igreja que surgia no Pentecostes, testemunhando que aquele que havia morrido ressuscitou e venceu o pecado, que gera a morte e a injustiça. Pregavam que um novo tempo havia começado nele. Todas as estruturas da sociedade seriam abaladas por esta invasão de amor e justiça que despencava do Trono de Deus. A missão da Igreja é comunicar esta vida nova possível, combatendo a morte, resgatando do inferno.

O convite de Jesus era à vida. Podemos entender o inferno como uma situação existencial de aflição sem esperança ou como um lugar literal de sofrimento visível e ensurdecedor, onde os gritos de desespero saem de todas as bocas e olhos, em total desprezo, perda e solidão. Ao olhar esta foto acima, podemos acreditar que algumas pessoas já vivem hoje ambas as coisas. O inferno já é antecipado em experiência e emoção, ao mesmo tempo também é lugar real, externo e com chamas literais.

A nossa palavra, como Igreja do Senhor, é para trazer esperança onde ela não existe mais, ou seja, para os que já vivem antecipadamente "nas regiões das sombras e da morte". Não apenas com palavras, mas também com atos e uma dose saudável de indignação com a injustiça, que Deus também abomina.

Luciano Oliveira


Um comentário:

Tania Rocha disse...

"A nossa palavra, como Igreja do Senhor, é para trazer esperança onde ela não existe mais," isto é que desejo do fundo do coração! Quando me falta, tenho para onde ir, mas, os que longe de Deus vivem, se desesperam!