terça-feira, 12 de outubro de 2010

Prisma Brasil - Asas da Alva

O pão partido e distribuído

Sobre o corpo de Cristo.
Esboço de pregação do dia 05 de setembro de 2010.

“O Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim” (I Co 11,23-24).

Ampliação de um conceito: o mistério de Cristo e a Igreja. Oculto por séculos, mas agora revelado.
Jesus, homem do seu tempo trabalhando com a cultura de sua época.
Tradição hebraica ortodoxa: o chefe da família parte o pão e o entrega aos membros de sua família, de sua descendência, sua carne e sangue. Amigo não o recebe.
O pão partido e entregue aos seus discípulos significava que os mesmos faziam parte de seu corpo: somos da mesma família.
João 14,14-15: “Já não vos chamo servos, vocês são meus amigos”. Foi mais longe na última ceia: já não vos chamo servos ou amigos, mas de irmãos, carne da minha carne.
Declaração: somos filhos de Deus e membros de seu corpo.
Não somos canibais comendo carne humana; não somos alquimistas tentando transformar um objeto em outro. Cremos que o pão da ceia é o pão da sua presença, ao comê-lo Cristo se comunica a nós.
1.       Encarnação
Quem poderia imaginar que Deus ia entrar na história humana tornando-se igual ao ser humano? Gente?
Sua encarnação não tinha apenas o aspecto exterior. Não era apenas para tornar-se um modelo, mas uma realidade dentro de nós.
Progressão desta revelação:
“Em verdade em verdade vos digo: quem crê tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não pereça. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que darei pela vida do mundo é a minha carne.” Jo 6,47-51
O seu corpo fazia parte de seu projeto de salvação. Absorvemos esta realidade de forma interiorizada.
2.       A Igreja
Na continuação do mistério da fé: a relação de seus seguidores com seu corpo.
Após sua morte seus discípulos reivindicaram seu corpo. José de Arimatéia, rico e influente, o coloca em um túmulo. Os discípulos preparam-se para embalsamá-lo. Parecia tudo terminado.
Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos. Seu corpo ganha uma nova dimensão. “Corpo, dado por vocês”. Tem plano e propósito em tudo.
O grande mistério: o corpo de Cristo é estendido aos seus discípulos. A Igreja é a continuadora de sua obra. O Deus encarnado em Jesus se encarna hoje na sociedade através de seus discípulos.
Para o oriental o corpo é a totalidade do ser, incluindo seu caráter e suas atitudes. A Igreja torna Deus conhecido e visível.
Corpo de Cristo composto por órgãos naturais torna-se o corpo de Cristo formado por gente, somos os órgãos ou membros de seu corpo.
Paulo não utiliza esta descrição apenas como uma metáfora para falar da unidade da Igreja. Existe uma realidade mais profunda, o corpo de Cristo entre nós torna-se o corpo de Cristo em e através de nós.
3.       O pão partido
Todos os trechos bíblicos que descrevem o “isto é o meu corpo” afirmam que o pão foi partido.
Aponta para o fato de que seu corpo seria quebrantado, moído, partido: “Ele foi moído pelas nossas iniqüidades” Is 53,5
Sinaliza também o fato do compartilhar, de absorver de forma comunitária de sua essência, interiorizamos sua vida em conjunto. O pão foi partido por nós e para nós.
“Nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos de um único pão.” (I Co 10,17).
Conclusão
João, no início do Apocalipse tem uma visão do céu. Ouve seu nome, vira-se para ver quem falava com ele e vê 07 candeeiros de ouro, que representavam a totalidade da Igreja. Depois que ele percebe no meio destes candeeiros a Jesus glorificado.
A Igreja do Senhor Jesus é o seu corpo, o torna visível e presente na história. Pela Igreja, através de gente, de pessoas, o coração de Deus é revelado. Aí ao contemplar esta vitrine de Deus, os nossos corações podem conhecê-lo pessoalmente, além de toda estrutura humana ou eclesiástica.
Escatológico: ei-lo lá...ali...não acrediteis, ele está compartilhado e vive entre os seus. Ele está aqui entre nós, a busca cessou. Ele está aqui, o ausente presente.

Luciano Oliveira