Em meio a Babel
Por Paulo Brabo
Estocado em Goiabas Roubadas
Na igreja ocidental contemporânea o discurso sobre missões é com frequência dominado pelo desenvolvimento de estratégias. A igreja, impelida por um pragmatismo que é, ele mesmo, definitivo da cultura ocidental, vive buscando aquela estratégia que irá ocasionar a conversão das massas. Se a estratégia certa, se as palavras certas forem encontradas, o reavivamento irá ocorrer. A igreja deve proclamar a mensagem em sua forma original, deixando que seu modo de vida interprete a mensagem.Segundo esse modo de pensar, a boa nova deve ser traduzida para a linguagem da cultura para que se torne acessível, a fim de que as fileiras de uma igreja moribunda sejam engrossadas.
Este artigo procurará demonstrar que estratégias missionais que apresentam o evangelho numa linguagem compreensível para a cultura ocidental estão fadadas ao fracasso. Quando a igreja usa a linguagem da cultura ocidental para proclamar a boa nova, as definições culturais sequestram o significado cristão, sendo que o único resultado possível é um cristianismo cultural. Além disso, a própria noção de linguagem tem perdido significativamente o seu valor na sociedade contemporânea; as tentativas cristãs de pronunciar-se culturalmente representam mera capitulação às estruturas de Babel e sua participação nelas. Portanto, se a igreja ocidental deseja tornar-se missionária, deve aprender a pronunciar-se cristãmente em meio a Babel. Em vez de alterar a mensagem do evangelho, a igreja deve proclamar a mensagem em sua forma original, deixando que seu modo de vida interprete a mensagem.
A mensagem cristã não deve e não pode ser empregada simplesmente a fim de prover aprovação cultural para o modo de vida cristão. Ao contrário, é o modo de vida cristão, aliado à fé no Espírito Santo, que deve prover conteúdo e significado à mensagem cristã. Quando o cristianismo for proclamado dessa forma a igreja estará equipada para revelar um modo de vida novo e radical à cultura ocidental dominada pelos ídolos do capitalismo de livre-mercado e da democracia liberal.
Daniel Oudshoorn
Poser or Prophet
Fonte: baciadasalmas.com
Coleção de textos cristãos e artigos diversos contextualizando as verdades bíblicas para as realidades da nossa sociedade,visando oferecer respostas ou criar questionamentos
terça-feira, 22 de junho de 2010
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Ricardo Gondim transformando palavras em sementes
Visitas ao inferno.
Ricardo Gondim
Já visitei o inferno. Estive lá em vida. Já entrei em suas câmaras horrendas diversas vezes. Em todas, padeci muito. Nada sei sobre o "Hades" mencionado pelos religiosos. Aquele que jaz embaixo da terra e começa depois da morte não me interessa. O inferno que já conheci e que me machuca fica aqui mesmo, na terra dos viventes.
Já estive no inferno do engano. Há algum tempo, visitei um parque suíço, em Zurique, para onde convergiam os toxicômanos da cidade. Subi o viaduto que atravessa o parque e do alto contemplei um cenário surreal e dantesco. Lama, lixo e fezes, atolavam rapazes e moças naquele submundo. Ali não existiam humanos, apenas carcaças ambulantes. Naquela mesma noite, no avião, desejei dormir profundamente só para fugir do que testemunhara. Eu preferia qualquer pesadelo a ter que conviver com aquele cenário, tão real. Perguntei-me diversas vezes quem eram aqueles jovens. E porque se revoltavam contra o sistema. Se tentavam ser livres, criaram uma masmorra. Acabaram construindo o inferno com as próprias mãos.
Daquele dia, despertei: o Lago de Enxofre permeia o mundo em que existo. Cada um daqueles jovens tinha um pai. Um pai que pranteia porque não sabe como apagar as labaredas medonhas do lago de enxofre.
Já estive no inferno da culpa. Hoje sei que nenhum tormento provoca maior dor que a culpa. Qualquer mulher culpada sabe o tamanho de sua opressão. Qualquer homem culpado fala que os ossos derretem com uma consciência pesada. Culpa é ácido. A culpa avisa que o passado não pode ser revisitado. Assim as pessoas se submetem a carrascos internos e esperam redenção através de açoites. A dor da culpa lateja como um nervo exposto.
Os culpados procuram dissimular o sofrimento com ativismos, divertimentos e até promiscuidade. Mas a culpa não cede; persegue, persegue, até aniquilar iniciativa, criatividade e esperança. Recordo quando, no final de uma reunião, uma mulher me procurou pedindo ajuda. Seu marido se suicidara de forma violenta. Depois de enroscar uma tira de couro no pescoço, deu partida em um motor, que não só o estrangulou como lhe decepou a cabeça. Mas antes, ele procurou vingar-se. Deixou uma nota responsabilizando a mulher pelo gesto trágico. Diante da tragédia, aquela pobre mulher, desorientada e aflita, não sabia como sair do cárcere que o marido meticulosamente construíra.
Já estive no inferno da maldade. Conheci homens nefastos. Sentei-me na roda de ímpios. Frequentei sessões onde o martelo inclemente da religião espicaçou inocentes. Vi sacerdotes alçando o vôo dos abutres. Semelhante às tragédias shakespeareanas, eu próprio senti o punhal da traição rasgar as minhas vísceras. Fui golpeado por suspeitas e boatos. Com o nome jogado em pocilgas, minha vida foi chafurdada como lavagem de porco. Senti o ardor do inferno quando tomei conhecimento da trama que visava implodir o trabalho que consumiu meus melhores anos. E eu não sabia como reagir.
Portanto, quando me perguntam se acredito no inferno, respondo que não, não acredito. Eu o conheço! Sei que existe. Eu o vejo ao meu redor. Inferno é a sorte de crianças que vivem nos lixões brasileiros. Inferno é o corredor do hospital público na periferia do Rio de Janeiro. Inferno é o campo de exilados em Darfur. Inferno é a vida de meninas que os pais venderam para a prostituição. Inferno é o asilo nos Estados Unidos, que não passa de um depósito onde os velhos esperam a morte.
Um dia, aceitei a vocação de lutar contra esses infernos que me rodeiam, assustam e afrontam. Ensinei e continuo a ensinar que Deus interpela homens e mulheres para que lutem contra suas labaredas. E passados tantos anos, a minha resposta continua a mesma: “Eis-me aqui, envia-me a mim”.
Acordo todos os dias pensando em acabar com os infernos. Gasto a minha vida para devolver esperança aos culpados; oferecer o ombro aos que tentam se reconstruir; usar o dom da oratória para que os discriminados se considerem dignos. Luto para transformar a minha escrita em semente que germina bondade em pessoas gripadas de ódio. Dedico-me ao estudo porque quero invocar o testemunho da história e mostrar aos mansos que só eles herdarão a terra onde paz e justiça se beijarão.
Soli Deo Gloria
18-06-10
Fonte: ricardogondim.com.br
Ricardo Gondim
Já visitei o inferno. Estive lá em vida. Já entrei em suas câmaras horrendas diversas vezes. Em todas, padeci muito. Nada sei sobre o "Hades" mencionado pelos religiosos. Aquele que jaz embaixo da terra e começa depois da morte não me interessa. O inferno que já conheci e que me machuca fica aqui mesmo, na terra dos viventes.
Já estive no inferno do engano. Há algum tempo, visitei um parque suíço, em Zurique, para onde convergiam os toxicômanos da cidade. Subi o viaduto que atravessa o parque e do alto contemplei um cenário surreal e dantesco. Lama, lixo e fezes, atolavam rapazes e moças naquele submundo. Ali não existiam humanos, apenas carcaças ambulantes. Naquela mesma noite, no avião, desejei dormir profundamente só para fugir do que testemunhara. Eu preferia qualquer pesadelo a ter que conviver com aquele cenário, tão real. Perguntei-me diversas vezes quem eram aqueles jovens. E porque se revoltavam contra o sistema. Se tentavam ser livres, criaram uma masmorra. Acabaram construindo o inferno com as próprias mãos.
Daquele dia, despertei: o Lago de Enxofre permeia o mundo em que existo. Cada um daqueles jovens tinha um pai. Um pai que pranteia porque não sabe como apagar as labaredas medonhas do lago de enxofre.
Já estive no inferno da culpa. Hoje sei que nenhum tormento provoca maior dor que a culpa. Qualquer mulher culpada sabe o tamanho de sua opressão. Qualquer homem culpado fala que os ossos derretem com uma consciência pesada. Culpa é ácido. A culpa avisa que o passado não pode ser revisitado. Assim as pessoas se submetem a carrascos internos e esperam redenção através de açoites. A dor da culpa lateja como um nervo exposto.
Os culpados procuram dissimular o sofrimento com ativismos, divertimentos e até promiscuidade. Mas a culpa não cede; persegue, persegue, até aniquilar iniciativa, criatividade e esperança. Recordo quando, no final de uma reunião, uma mulher me procurou pedindo ajuda. Seu marido se suicidara de forma violenta. Depois de enroscar uma tira de couro no pescoço, deu partida em um motor, que não só o estrangulou como lhe decepou a cabeça. Mas antes, ele procurou vingar-se. Deixou uma nota responsabilizando a mulher pelo gesto trágico. Diante da tragédia, aquela pobre mulher, desorientada e aflita, não sabia como sair do cárcere que o marido meticulosamente construíra.
Já estive no inferno da maldade. Conheci homens nefastos. Sentei-me na roda de ímpios. Frequentei sessões onde o martelo inclemente da religião espicaçou inocentes. Vi sacerdotes alçando o vôo dos abutres. Semelhante às tragédias shakespeareanas, eu próprio senti o punhal da traição rasgar as minhas vísceras. Fui golpeado por suspeitas e boatos. Com o nome jogado em pocilgas, minha vida foi chafurdada como lavagem de porco. Senti o ardor do inferno quando tomei conhecimento da trama que visava implodir o trabalho que consumiu meus melhores anos. E eu não sabia como reagir.
Portanto, quando me perguntam se acredito no inferno, respondo que não, não acredito. Eu o conheço! Sei que existe. Eu o vejo ao meu redor. Inferno é a sorte de crianças que vivem nos lixões brasileiros. Inferno é o corredor do hospital público na periferia do Rio de Janeiro. Inferno é o campo de exilados em Darfur. Inferno é a vida de meninas que os pais venderam para a prostituição. Inferno é o asilo nos Estados Unidos, que não passa de um depósito onde os velhos esperam a morte.
Um dia, aceitei a vocação de lutar contra esses infernos que me rodeiam, assustam e afrontam. Ensinei e continuo a ensinar que Deus interpela homens e mulheres para que lutem contra suas labaredas. E passados tantos anos, a minha resposta continua a mesma: “Eis-me aqui, envia-me a mim”.
Acordo todos os dias pensando em acabar com os infernos. Gasto a minha vida para devolver esperança aos culpados; oferecer o ombro aos que tentam se reconstruir; usar o dom da oratória para que os discriminados se considerem dignos. Luto para transformar a minha escrita em semente que germina bondade em pessoas gripadas de ódio. Dedico-me ao estudo porque quero invocar o testemunho da história e mostrar aos mansos que só eles herdarão a terra onde paz e justiça se beijarão.
Soli Deo Gloria
18-06-10
Fonte: ricardogondim.com.br
Ateísmo ético
Saramago por Leonardo Boff
Saramago se considerava ateu, mas de um ateísmo muito particular. Entendia o "fator Deus" como veiculado pelas religiões e pelas Igrejas como forma de alienação das pessoas. Seu ateísmo era ético, negava aquele "Deus" que não produzia vida e não anunciava a libertação dos oprimidos.
Essa compreensão pude discuti-la pessoalmente num encontro em 2001, na Suécia. Ele viera a Estocolmo para um encontro de todos os portadores do Nobel. Eu lá estava, pois fora indicado para o prêmio The Right Livelihood Award. Convidou a mim e à minha companheira Márcia para um jantar. Foi um festim de espiritualidade mais do que de literatura. Levei-lhe um livro de contos indígenas, O Casamento do Céu com a Terra, e para a sua esposa Pilar um outro, Espiritualidade: Caminho de Realização. Ele logo foi dizendo: "quero o livro de espiritualidade, pois pretendo me aprofundar neste tema".
Falamos longamente sobre religião, Deus e espiritualidade. Negava a religião, mas não a espiritualidade como sentimento do mistério do mundo, da profundidade humana e do amor aos oprimidos. Mostrou sua admiração pela Teologia da Libertação por fazer do "fator Deus" uma força de superação da miséria humana. Fomos madrugada adentro, já em seu quarto de hotel, como se fôssemos velhos amigos.
O e-mail a seguir revela a experiência espiritual que juntos vivenciamos:
"Querido Leonardo, querida Márcia: para nós, o grande acontecimento em Estocolmo foi ter-vos conhecido. Não exageramos. (...) O tempo que estivemos juntos foi um banho para o espírito. Quem dera que em breve surja outra ocasião. Os anos são todos terríveis para aqueles para quem a vida é terrível. Às vezes as coisas correm melhor no mundo e isso leva-nos a pensar que estamos em paz, mas o mesmo não poderiam dizer os milhões de seres humanos cujas opiniões contam tão pouco que praticamente não se dá por elas. E se de alguma maneira chegam a manifestar-se, os modos de as silenciar, não faltam. O vosso trabalho cria e reforça consciências livres ou em processo de libertação. (...)".
Ganhamos um amigo e a fé me diz que ele agora mergulhou naquele Mistério de amor que sempre buscou.
LEONARDO BOFF É TEÓLOGO E ESCRITOR
Fonte: reinoutopico.blogspot.com
Saramago se considerava ateu, mas de um ateísmo muito particular. Entendia o "fator Deus" como veiculado pelas religiões e pelas Igrejas como forma de alienação das pessoas. Seu ateísmo era ético, negava aquele "Deus" que não produzia vida e não anunciava a libertação dos oprimidos.
Essa compreensão pude discuti-la pessoalmente num encontro em 2001, na Suécia. Ele viera a Estocolmo para um encontro de todos os portadores do Nobel. Eu lá estava, pois fora indicado para o prêmio The Right Livelihood Award. Convidou a mim e à minha companheira Márcia para um jantar. Foi um festim de espiritualidade mais do que de literatura. Levei-lhe um livro de contos indígenas, O Casamento do Céu com a Terra, e para a sua esposa Pilar um outro, Espiritualidade: Caminho de Realização. Ele logo foi dizendo: "quero o livro de espiritualidade, pois pretendo me aprofundar neste tema".
Falamos longamente sobre religião, Deus e espiritualidade. Negava a religião, mas não a espiritualidade como sentimento do mistério do mundo, da profundidade humana e do amor aos oprimidos. Mostrou sua admiração pela Teologia da Libertação por fazer do "fator Deus" uma força de superação da miséria humana. Fomos madrugada adentro, já em seu quarto de hotel, como se fôssemos velhos amigos.
O e-mail a seguir revela a experiência espiritual que juntos vivenciamos:
"Querido Leonardo, querida Márcia: para nós, o grande acontecimento em Estocolmo foi ter-vos conhecido. Não exageramos. (...) O tempo que estivemos juntos foi um banho para o espírito. Quem dera que em breve surja outra ocasião. Os anos são todos terríveis para aqueles para quem a vida é terrível. Às vezes as coisas correm melhor no mundo e isso leva-nos a pensar que estamos em paz, mas o mesmo não poderiam dizer os milhões de seres humanos cujas opiniões contam tão pouco que praticamente não se dá por elas. E se de alguma maneira chegam a manifestar-se, os modos de as silenciar, não faltam. O vosso trabalho cria e reforça consciências livres ou em processo de libertação. (...)".
Ganhamos um amigo e a fé me diz que ele agora mergulhou naquele Mistério de amor que sempre buscou.
LEONARDO BOFF É TEÓLOGO E ESCRITOR
Fonte: reinoutopico.blogspot.com
O tempo voa
Sérgio Pavarini
“Quem sabe o que é bom para o homem, nos poucos dias de sua vida vazia, em que ele passa como uma sombra?”
Eclesiastes 6.12 – NVI
O poeta romano Virgílio usou pela primeira vez nas Geórgicas a expressão tempus fugit, que significa “o tempo foge”. A Bíblia também contém várias metáforas que tentam descrever e enfatizar a brevidade de nossa existência. Mesmo assim, muitas vezes o timão do nosso barco não está nas mãos divinas e os ventos das circunstâncias nos deixam ao sabor das ondas bravias.
Imagine o total de horas que você vai passar neste planeta. Se você calcular o tempo dedicado a várias atividades, descobrirá que talvez gastará um tempo maior no trabalho do que com a própria família. É um dado que não pode ser desprezado, afinal não teremos nova chance de começar tudo outra vez e vivermos de forma mais consciente.
Se você já trabalhou em outra empresa, consegue avaliar qual foi a sua herança do tempo que esteve lá? Freqüentemente, não conseguimos sequer manter a amizade com pessoas que passaram o dia todo ao nosso lado durante muito tempo. Se os relacionamentos são superficiais, as habilidades profissionais que obtivemos por vezes são ainda menos palpáveis. Às vezes só nos damos conta disso quando estamos desempregados.
Quem trabalha em uma livraria vive em meio a um manancial de conhecimento em diversas áreas. Mesmo assim, há quem morra de fome dentro do supermercado. Os livros estão ao alcance das mãos, mas a alma nunca é alimentada. Como apregoava uma antiga campanha que preparei, “quem lê sabe mais”. E não só isso: conquista melhores empregos, obtém notas melhores no vestibular, se expressa com mais facilidade e sempre terá chances maiores de destaque em quaisquer áreas.
Há grandes redes de livrarias que não apenas estimulam, mas estabelecem metas de leitura para seus funcionários. Quem não conhece o que comercializa e não sabe fazer indicações corretas para os consumidores, é dispensado. Do ponto de vista profissional, esse tipo de demissão é menos nocivo do que permitir que alguém passe anos em uma empresa sem aprimorar suas habilidades.
O futuro que você não ousou sonhar pode estar ao alcance de suas mãos nas estantes ou nas gôndolas do lugar em que trabalha. “Sempre imaginei o paraíso como uma grande biblioteca”, disse o escritor argentino Jorge Luis Borges. Esqueça as desculpas e comece hoje mesmo a buscar inspiração para compor as próximas páginas de sua história. “Há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu.” Creia nisso.
Fonte: PAVABLOG
“Quem sabe o que é bom para o homem, nos poucos dias de sua vida vazia, em que ele passa como uma sombra?”
Eclesiastes 6.12 – NVI
O poeta romano Virgílio usou pela primeira vez nas Geórgicas a expressão tempus fugit, que significa “o tempo foge”. A Bíblia também contém várias metáforas que tentam descrever e enfatizar a brevidade de nossa existência. Mesmo assim, muitas vezes o timão do nosso barco não está nas mãos divinas e os ventos das circunstâncias nos deixam ao sabor das ondas bravias.
Imagine o total de horas que você vai passar neste planeta. Se você calcular o tempo dedicado a várias atividades, descobrirá que talvez gastará um tempo maior no trabalho do que com a própria família. É um dado que não pode ser desprezado, afinal não teremos nova chance de começar tudo outra vez e vivermos de forma mais consciente.
Se você já trabalhou em outra empresa, consegue avaliar qual foi a sua herança do tempo que esteve lá? Freqüentemente, não conseguimos sequer manter a amizade com pessoas que passaram o dia todo ao nosso lado durante muito tempo. Se os relacionamentos são superficiais, as habilidades profissionais que obtivemos por vezes são ainda menos palpáveis. Às vezes só nos damos conta disso quando estamos desempregados.
Quem trabalha em uma livraria vive em meio a um manancial de conhecimento em diversas áreas. Mesmo assim, há quem morra de fome dentro do supermercado. Os livros estão ao alcance das mãos, mas a alma nunca é alimentada. Como apregoava uma antiga campanha que preparei, “quem lê sabe mais”. E não só isso: conquista melhores empregos, obtém notas melhores no vestibular, se expressa com mais facilidade e sempre terá chances maiores de destaque em quaisquer áreas.
Há grandes redes de livrarias que não apenas estimulam, mas estabelecem metas de leitura para seus funcionários. Quem não conhece o que comercializa e não sabe fazer indicações corretas para os consumidores, é dispensado. Do ponto de vista profissional, esse tipo de demissão é menos nocivo do que permitir que alguém passe anos em uma empresa sem aprimorar suas habilidades.
O futuro que você não ousou sonhar pode estar ao alcance de suas mãos nas estantes ou nas gôndolas do lugar em que trabalha. “Sempre imaginei o paraíso como uma grande biblioteca”, disse o escritor argentino Jorge Luis Borges. Esqueça as desculpas e comece hoje mesmo a buscar inspiração para compor as próximas páginas de sua história. “Há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu.” Creia nisso.
Fonte: PAVABLOG
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Você é odre novo
Vinho novo, odres novos
Ed René Kivitz
Não sem motivo, a crítica às igrejas chamadas tradicionais cresce a cada dia. Por igrejas tradicionais me refiro àquelas vítimas do tradicionalismo (aqui sempre fizemos as coisas desse jeito!), legalismo (aqui as boas doutrinas e o bom comportamento valem mais do que as boas pessoas, até porque, exceto nós, não existem boas pessoas!) e do formalismo (silêncio, você está na casa do Senhor!).
A resposta que se dá a esse cenário é múltipla. Há os que abandonam a vida comunitária e passam a caminhar sozinhos, de roda em roda e de bar em bar, chamando de igreja qualquer reunião de chopp entre dois ou três cristãos, ou tentando cultivar a piedade na virtualidade por meio de mp3, podcasts, cultos online e afins. Há também os que escolhem formar grupos informais, que se reúnem regularmente, por exemplo, no cyber-espaço, nas lanchonetes, pátios de universidades, auditórios alugados para fins de semana e, principalmente, nas casas dos cristãos, que funcionam como mini-auditórios para enc ontros informais ao redor da mesa.
A maioria dessas pessoas, ou teve uma experiência negativa com as igrejas chamadas tradicionais ou dela foram banidas contra a sua vontade e, por esta razão, buscaram novos jeitos de ser igreja. Poucas fizeram uma opção deliberada de rompimento justificado pela busca de uma espiritualidade mais autêntica e mais profunda.
O fato é que, independentemente das razões pelas quais se reúnem fora dos horizontes institucionais tradicionais, há algo que precisa ser sublinhado: a maioria dessas pessoas é vítima de uma mentalidade religiosa nociva e obsoleta. Do lado de fora das igrejas tradicionais existe um contingente imenso de pessoas que, com a mesma intensidade com que busca a Deus, rejeita a incoerência, a hipocrisia e os desmandos das estruturas de poder eclesiástico.
Por outro lado, há também uma característica comum a esses grupos informais: a maioria acredita que o fato de estarem fora das igrejas chamadas tradicionais implica a natural participação e experiência do que Jesus chamou de “odres novos”. Não devemos confundir odres novos com novas formas de igreja. O odre novo capaz de conter o vinho novo do evangelho é a nova mentalidade, gerada pela experiência da graça de Deus, e não uma nova instituição ou nova forma de organização de pessoas.
Qualquer forma e sistema que se pretenda oferecer para conter o vinho novo do Evangelho da graça será um odre velho, pois o vinho novo está derramado sobre todos os que foram feitos livres pelo sopro do Espírito de Deus, que sopra onde quer. O vinho novo, portanto, está presente em, e por meio de, todos os que nasceram da água e do Espírito, e se manifesta em todo lugar, todo tempo, por meio de tudo o que fazem, qualquer que seja a instituição, estrutura eclesiástica ou forma organizacional em que estejam.
Ouço muita gente dizer que os “odres novos” são equivalentes a estruturas organizacionais mais leves, ágeis, flexíveis, não engessadas e assim por diante. Mas a questão é que qualquer estrutura é odre velho, pois o Evangelho não visa a gerar novas instituições, mas pessoas novas. O “odre novo”, meu irmão, minha irmã, é você, sua cabeça e seu coração. O que passa disso é ilusão e destruição, pois, de fato, “ninguém põe vinho novo em odre velho; se o fizer, o odre rebentará, o vinho se derramará e odre se estragará. Ao contrário, põe-se vinho novo em odre novo; e ambos se conservam”.
Jeremias explicou o seu tempo e o nosso
Palavras do profeta Jeremias:
"Os líderes do povo são insensatos e não consultam ao Senhor; por isso não prosperam e todo o seu rebanho está disperso." (Jr 10,21 NVI)
"Os líderes do povo são insensatos e não consultam ao Senhor; por isso não prosperam e todo o seu rebanho está disperso." (Jr 10,21 NVI)
quarta-feira, 9 de junho de 2010
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