| Projeto da ficha limpa enfrenta resistência | |
| O projeto de lei de iniciativa popular nº 518/09, que pode ser levado a votação no Congresso e estabelece a ficha limpa como regra para registro de candidatura, enfrentará resistência entre os parlamentares. A reportagem é de Ricardo Brandt e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 03-11-2009. Um mês após ser entregue na Câmara, a Mesa Diretora ainda não nomeou um relator. A proposta foi anexada ao projeto 168/93, que também trata de casos de inelegibilidades e já recebeu parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça quanto à sua constitucionalidade - queimando assim, etapas na tramitação interna. Mas para que comece a efetivamente ser analisado pela Casa, precisa ter nomeado um relator pela Mesa e conseguir romper a rejeição que enfrenta por prejudicar diretamente 41% dos deputados atuais. O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que encabeçou a coleta de assinaturas, tenta pressionar os parlamentares para que o maior número deles subscreva o projeto - 31 já o assinaram. Para isso, a ONG, que agrega outras 41 entidades, lançou a campanha "Mande um recado aos parlamentares!", em que orienta os eleitores a mandarem e-mails para os deputados cobrando a aprovação da lei da ficha limpa. O tema já foi debatido no Supremo Tribunal Federal (STF) nas eleições municipais de 2008, quando a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) preparou uma lista de candidatos com problemas na Justiça. Após sete horas e meia de sessão, 9 dos 11 ministros da corte votaram contra uma ação protocolada pela AMB, que pedia que os candidatos condenados em primeira instância fossem impedidos de disputar as eleições. A decisão manteve a validade da Lei de Inelegibilidades, que estipula que apenas candidatos condenados em última instância poderão ser impedidos de disputar as eleições. "Antes mesmo de ser levado à Câmara dos Deputados, soubemos que havia parlamentares trabalhando contra a proposta. O projeto foi protocolado e ainda está sem relator, que será escolhido por um ato do presidente da Casa, Michel Temer. Já solicitamos uma audiência com ele. Não vamos deixar que engavetem a proposta", afirmou Marlon Reis, um dos coordenadores do MCCE. A primeira vitória da sociedade civil no combate à corrupção ocorreu há 10 anos. No dia 29 de outubro do ano de 1999, organizações sociais conseguiram levar ao Congresso a proposta que se tornaria a primeira lei de iniciativa popular. A Lei 9.840/99, que criou regras de combate à compra de votos e ao uso eleitoreiro da máquina administrativa, já serviu como base para a cassação de mais de 600 políticos, segundo levantamento doMCCE. Agora, as entidades querem criar critérios mais rígidos para que alguém possa se candidatar. | |
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=27154 | |
Coleção de textos cristãos e artigos diversos contextualizando as verdades bíblicas para as realidades da nossa sociedade,visando oferecer respostas ou criar questionamentos
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Legislando em causa própria
O "Cristo Cósmico" de Chardin e a Ciência
domingo, 1 de novembro de 2009
Um testemunho emocionante
Um testemunho de fé sobre drogas, suicídio e Amor.

Pr Julio Soder
Estava quase cochilando, depois do almoço de domingo, quando Ernanio ligou despertando-me imediatamente: -"Pastor, o Ledir tomou veneno!".
Acho que era por volta do ano de 2002, na cidade de Cacoal, em Rondônia, região conhecida como "Amazônia Legal". Eu dirigia os programas terapêuticos da Fundação Vida Nova, uma entidade filantrópica que existia pela graça de Deus através do amor, trabalho e sustento de Credival e Raquel Carvalho, um casal de médicos, autênticos cristãos a serviço do Reino de Deus.
O centro de recuperação era na saida da cidade, já zona rural. As condições eram precárias, a estrutura deficiente e os recursos escassos. Apesar de já haver sido emitida uma regulamentação pela Anvisa, as comunidades terapêuticas ainda estavam em fase de adaptação e, além disso, os orgãos fiscalizadores, juízes, ministério público e até a prefeita, davam graças a Deus por existir gente como nós, que se importava, amava e sabia como fazer a recuperação, tirando das costas deles esse trabalho, feito voluntariamente e sem recursos públicos.
Ledir era viciadão; tinha 22 anos. Estivera internado conosco muitas vezes. Saia, depois de algumas semanas internação, sem concluir o programa, e retornava só de calção e alucinado, embora eu tenha dito a ele, em todas as vezes que ele saira, que nunca mais o receberia. "Conversa de pastor".
Nesta última vez que ele retornou as alucinações demoraram um pouco mais a passar. Ele havia balbuciado algumas vezes que alguém "estava tentando matá-lo" e "vou me matar". Nós, eu e os monitores, já tínhamos ouvido aquilo dele muitas vezes e não demos muita atenção.
Naquele domingo, após o almoço, Ledir passou por Ernanio, o monitor de plantão, e disse: "-Tomei veneno". Ernanio, conhecendo-o, não ia dar atenção mas sentiu o cheiro da química forte e confrontou-o imediatamente. Então saiu apressadamente em direção à casinha de ferramentas e encontrou um frasco vazio de Karatê, um piretróide, organoclorado, que não tem antídoto e imediatamente me ligou.
Apesar das condições precárias não havia desculpas para uma falha tão grande na segurança de pessoas que não eram responsáveis por seus atos na situação em que estavam. Ninguém da equipe terapêutisa sabia da existência daquele produto e a porta da casa de ferramentas não tinha tranca.
-"Ponha o Ledir no carro e leve voando para o hospital. Te encontro lá!"
Ernanio teve o bom senso de levar o frasco vazio. Encontrei-o na portaria. Ele parecia assustado.
Entrei na sala de emergência e senti a tensão do ambiente. Havia quatro enfermeiras e o médico atendendo o Ledir; três delas tentavam segurá-lo enquanto uma fazia a lavagem estomacal. Ele era um rapaz forte apesar de usuário de drogas; foi difícil segurá-lo.
O Dr Paulo Elifas, médico de plantão, morador antigo da cidade e muito respeitado, chamou-de lado e disse: -"O senhor pode avisar a familia e preparar-se para o pior. Estou apenas fazendo o procedimento de praxe mas isso não vai adiantar muito devido ao tipo de substância, o volume e pelo tempo que ele ingeriu. Não há mais o que fazer".
Naquele momento senti um peso enorme na alma. Confesso que não pensei somente na vida do Ledir; pensei também na repercussão que ia dar se ele morresse; pensei no processo que daria sobre a entidade e sobre mim; eu era o responsável; pensei no nome dos cristãos e da igreja, pensei no centro de recuperação fechando...o que seriam daquelas vidas. Pensei em tanta coisa...mas eu era o responsável; tinha que fazer alguma coisa!
De súbito eu disse ao médico: -"Pois o senhor faça tudo o que tem fazer. Eu vou pra casa clamar ao meu Deus e ele mostrará que tem poder!". O Dr Paulo Elifas fez um muxôxo de indiferença; ele não cria em nada daquilo que eu disse e até eu tinha minhas dúvidas mas era o que eu sabia, podia e devia fazer.
No carro de volta pra casa eu delirava: -"O que eu fui dizer?".
Em casa clamei! Clamei e reclamei! Clamei pela minha vida,. pela do Ledir, pela obra, e até por uma provável fé futura da equipe do hospital pois eu havia dito em alto e bom som que Deus me atenderia. Esbravejei: -"...e agora eu já disse, eu já falei que O Senhor cura!".
Entreguei...eu fizera tudo que sabia e podia. Descansei. Agora era esperar.
Dois dias depois Ledir saiu andando e rindo do hospital. Tratei-o afetuosamente mas depois dei uma bronca nele pelo susto que nos deu.
O Dr Paulo Elifas hoje é convertido e diácono da Primeira Igreja Batista de Cacoal-RO.
A última notícia que tive do Ledir é a de que ele era obreiro numa casa de recuperação em Ji-paraná-RO.
***
Julio Soder é pastor da Igreja Batista Peniel e trabalha com recuperação de Quimio-dependentes.
Acho que era por volta do ano de 2002, na cidade de Cacoal, em Rondônia, região conhecida como "Amazônia Legal". Eu dirigia os programas terapêuticos da Fundação Vida Nova, uma entidade filantrópica que existia pela graça de Deus através do amor, trabalho e sustento de Credival e Raquel Carvalho, um casal de médicos, autênticos cristãos a serviço do Reino de Deus.
O centro de recuperação era na saida da cidade, já zona rural. As condições eram precárias, a estrutura deficiente e os recursos escassos. Apesar de já haver sido emitida uma regulamentação pela Anvisa, as comunidades terapêuticas ainda estavam em fase de adaptação e, além disso, os orgãos fiscalizadores, juízes, ministério público e até a prefeita, davam graças a Deus por existir gente como nós, que se importava, amava e sabia como fazer a recuperação, tirando das costas deles esse trabalho, feito voluntariamente e sem recursos públicos.
Ledir era viciadão; tinha 22 anos. Estivera internado conosco muitas vezes. Saia, depois de algumas semanas internação, sem concluir o programa, e retornava só de calção e alucinado, embora eu tenha dito a ele, em todas as vezes que ele saira, que nunca mais o receberia. "Conversa de pastor".
Nesta última vez que ele retornou as alucinações demoraram um pouco mais a passar. Ele havia balbuciado algumas vezes que alguém "estava tentando matá-lo" e "vou me matar". Nós, eu e os monitores, já tínhamos ouvido aquilo dele muitas vezes e não demos muita atenção.
Naquele domingo, após o almoço, Ledir passou por Ernanio, o monitor de plantão, e disse: "-Tomei veneno". Ernanio, conhecendo-o, não ia dar atenção mas sentiu o cheiro da química forte e confrontou-o imediatamente. Então saiu apressadamente em direção à casinha de ferramentas e encontrou um frasco vazio de Karatê, um piretróide, organoclorado, que não tem antídoto e imediatamente me ligou.
Apesar das condições precárias não havia desculpas para uma falha tão grande na segurança de pessoas que não eram responsáveis por seus atos na situação em que estavam. Ninguém da equipe terapêutisa sabia da existência daquele produto e a porta da casa de ferramentas não tinha tranca.
-"Ponha o Ledir no carro e leve voando para o hospital. Te encontro lá!"
Ernanio teve o bom senso de levar o frasco vazio. Encontrei-o na portaria. Ele parecia assustado.
Entrei na sala de emergência e senti a tensão do ambiente. Havia quatro enfermeiras e o médico atendendo o Ledir; três delas tentavam segurá-lo enquanto uma fazia a lavagem estomacal. Ele era um rapaz forte apesar de usuário de drogas; foi difícil segurá-lo.
O Dr Paulo Elifas, médico de plantão, morador antigo da cidade e muito respeitado, chamou-de lado e disse: -"O senhor pode avisar a familia e preparar-se para o pior. Estou apenas fazendo o procedimento de praxe mas isso não vai adiantar muito devido ao tipo de substância, o volume e pelo tempo que ele ingeriu. Não há mais o que fazer".
Naquele momento senti um peso enorme na alma. Confesso que não pensei somente na vida do Ledir; pensei também na repercussão que ia dar se ele morresse; pensei no processo que daria sobre a entidade e sobre mim; eu era o responsável; pensei no nome dos cristãos e da igreja, pensei no centro de recuperação fechando...o que seriam daquelas vidas. Pensei em tanta coisa...mas eu era o responsável; tinha que fazer alguma coisa!
De súbito eu disse ao médico: -"Pois o senhor faça tudo o que tem fazer. Eu vou pra casa clamar ao meu Deus e ele mostrará que tem poder!". O Dr Paulo Elifas fez um muxôxo de indiferença; ele não cria em nada daquilo que eu disse e até eu tinha minhas dúvidas mas era o que eu sabia, podia e devia fazer.
No carro de volta pra casa eu delirava: -"O que eu fui dizer?".
Em casa clamei! Clamei e reclamei! Clamei pela minha vida,. pela do Ledir, pela obra, e até por uma provável fé futura da equipe do hospital pois eu havia dito em alto e bom som que Deus me atenderia. Esbravejei: -"...e agora eu já disse, eu já falei que O Senhor cura!".
Entreguei...eu fizera tudo que sabia e podia. Descansei. Agora era esperar.
Dois dias depois Ledir saiu andando e rindo do hospital. Tratei-o afetuosamente mas depois dei uma bronca nele pelo susto que nos deu.
O Dr Paulo Elifas hoje é convertido e diácono da Primeira Igreja Batista de Cacoal-RO.
A última notícia que tive do Ledir é a de que ele era obreiro numa casa de recuperação em Ji-paraná-RO.
***
Julio Soder é pastor da Igreja Batista Peniel e trabalha com recuperação de Quimio-dependentes.
sábado, 31 de outubro de 2009
Carole King - You've Got A Friend
Nas horas mais difíceis creia que você tem um amigo. E que ele vem correndo ao seu encontro.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Coisas que fazem a Igreja ser amada
Posted: 28 Oct 2009 12:00 PM PDT

NOTA: Quando me refiro à igreja na lista abaixo, estou pensando na igreja orgânica, invisível aos olhos humanos, aquela que só Deus conhece como Seu único e exclusivo remanescente fiel, a noiva de Cristo, composta dos filhos e súditos do Reino. É essa igreja que amo e sou membro.
Que mais amo em ti?
1. AMO TUA VOCAÇÃO PROFÉTICA. Quando exerces teu papel profético de denunciar o mal e delatar a injustiça e quando desmascaras corajosamente o rosto imundo da corrupção e serves tu mesma de espelho, para o mundo ver Jesus refletido em teu semblante.
2. AMO TUA CORAGEM DESTEMIDA. Quando desfazes os altares da vaidade, desbancas os postes ídolos do abuso de poder, detonas os totens dos falsos profetas e pastores fingidos, esses que amam a popularidade, a fama e o dinheiro e arrastam milhares de incautos à decepção e à tristeza irreversíveis, até que tu venhas e a ser alento e ponto de apoio para voltarem a caminhar, Para depois correrem livres e voarem em direção a uma vida pujante de alegria e liberdade em Cristo, nunca dantes experimentada.
3. AMO TEU AMOR DESMEDIDO. Quando te identificas com as pessoas às quais tu proclamas a verdade do Evangelho, amando-as incondicionalmente, vendo sempre o bem no outro, e incluindo-o como teu semelhante e irmão de caminhada. Se acontecer algum processo de seleção no final, cabe a Deus fazê-lo, como prerrogativa exclusiva Dele.
4. AMO TEU TESTEMUNHO IMPOLUTO. Quando, em alguns pontos luminosos de tua história, e ainda hoje se vê rasgos nítidos de tua original missão de servir de ponte de retorno entre o mundo perdido e o seio do Pai, de ser farol de referência, lucidez e honradez aos que estão à deriva na correnteza do mar da corrupção, e ser rocha firme aos que afundam na areia movediça das certezas relativizadas.
5. AMO TUA HUMILDADE, À SEMELHANÇA DE TEU MESTRE. quando te conscientizas que teu lugar é servir no vale escuro da dor e da rejeição e não no topo do mundo, debaixo dos holofotes e flashes da fácil aceitação.
6. AMO QUANDO TE MOSTRAS MADURA EM TUA PROPOSTA DE SANTIDADE.Quando descobres que o caminho da maturidade rumo à santidade é o da experiência do andar vivencial com Jesus, e não a freqüência compulsória a um culto, e a liberdade consciente como a melhor forma de amadurecimento em direção ao céu.
7. AMO TUA ESTRATÉGIA INTELIGENTE DE CONQUISTAR O MUNDO. Quando adotas a teologia encarnacional da identificação participativa e te imiscuis no meio do mundo de forma sutil, subversiva, sem alarde e autopromoção, e através de recursos didáticos criativos se utilizando da cultura e das artes, consegues mudar os rumos da história.
8. AMO TUA OBJETIVIDADE FULMINANTE. Quando não fazes “cavalo de batalha” com coisas inúteis e irrelevantes para a vida como defender doutrinas humanas, dogmas e tradições de usos e costumes, e por outro lado, enfatizas o que é essencial para a vida aqui e o porvir, como incorporar o Evangelho Simples, amar a Jesus, vivenciar o amor entre os irmãos, reunir com os amigos para conversar, assistir o necessitado, abrigar o sem casa, dar alimento ao faminto e prover uma base sólida de educação aos que não teria nenhum futuro consistente e a chance de poder sobreviver nessa sociedade de lobos vorazes que dilaceram o ânimo doa fracos e despedaçam a esperança dos pequeninos. Mas aguarde com paciência o terrível julgamento que recaíra sobre sobre toda a alcatéia desses predadores insaciávais, por tocarem nesses amados pequeninos do Senhor...
9. AMO TEU SENSO AGUÇADO DE JUSTIÇA E MISERICÓRIDIA. Quando usas sabiamente a disciplina bíblica como elemento de cura e inclusão dos que entre ti fraquejam e tropeçam, levando-os invariavelmente ao retorno feliz, e curados, se levantam para ser referencial de vida a tantos outros que caem e tropeçam na caminhada.
10. AMO TUA MISSÃO BASEADA NA COMUNHÃO VIVENCIAL COM O MUNDO.Quando compreendes claramente que o “ide” não é um imperativo, mas “indo”, um gerúndio de convivência relacional no dia-a-dia, dando idéia de “enquanto vão, preguem”. Isso envolve a necessidade da saída do reduto quentinho e confortável do templo para a convivência despretensiosa lá fora, e sem segundas intenções, encontrar as pessoas em seus habitats, áreas de convivência, trabalho e lazer, e se tornando uma delas, fazer o Evangelho conhecido pelo servir sem nenhuma pretenção, a não ser aquela de gerar grandes amizades com os que compartilham conosco a mesma jornada de vida. Tal qual Jesus faria...
QUANDO AGES ASSIM, VIVES O QUE É SER IGREJA NO MUNDO E ENTENDES QUE SER IGREJA É MUITO MAIS DO QUE VEMOS POR AÍ... APESAR DE SER IMPRESSIONANTE O NÚMERO DOS QUE SE JACTAM PERTENCEREM AS TUAS FILEIRAS.
***
MANOEL SILVA FILHO é CONSPIRADOR DO REINO, LÍDER DA COMUNIDADE ABRIGO R15
[via Genizah Virtual]
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Para ler a vida
Posted: 27 Oct 2009 05:00 PM PDT
"Dos 5 aos 14 anos, morei com minha avó Julia, em Mecejana, no Ceará. Eu morava numa casinha de palha, a 10 quilômetros da casa do meu pai. Ficava numa capoeira. Minha avó era uma pessoa muito inteligente, capaz de decorar um livro inteiro de cordel apenas de ouvir a história umas duas vezes. Como ela não sabia ler, meu pai lia para ela, e ela me contava as histórias. Ou as cantava em forma de cantoria, como os repentistas. Foi com ela que aprendi os rudimentos do cristianismo. Ela tinha um catecismo feito de papel-cuchê, com umas ilustrações belíssimas da Capela Sistina, que mostrava desde a Criação até o Apocalipse, o fim do mundo. O livro não tinha escrita, só ilustração. Era feito para analfabetos. Minha avó dizia que no Ceará havia padres, freiras e tudo isso. No meu imaginário de criança, ao ouvir tudo isso, eu comecei a dizer que, quando eu crescesse, seria freira. Todas as vezes que eu dizia isso, ela me aconselhava a estudar. Dizia que freira não podia ser analfabeta. E cresci com esse conselho. Quando fiquei doente, resolvi cuidar da minha saúde e ser freira. Fui para um convento, onde fiquei dois anos e oito meses. Foi assim que comecei a estudar. Para ser freira, eu tinha de aprender a ler. Eu tinha 16 anos e meio quando fui para Rio Branco para ser freira. E continuo tentando me curar do analfabetismo até hoje. Analfabeto é também quem não consegue fazer uma leitura em relação aos tempos que está vivendo, quem não consegue ler os valores que se quer reforçar ou outros que a gente precisa mudar. Enfim, a alfabetização é um processo contínuo; é dar outra significação à vida."
Marina Silva
fonte: Época
domingo, 25 de outubro de 2009
Para desistir de querer ser Deus
Querendo ser Deus?
Publicado em 24/10/2009 por Chicco
Por Leonardo Boff*
Rose Marie Muraro é uma mulher impossível. Com extrema limitação de vista e de saúde escreveu 35 livros e editou cerca de outros 1600. Foi pioneira do feminismo brasileiro. Seu estudo sobre a sexualidade da mulher brasileira, publicado pela Vozes de Petrópolis se transformou num clássico seja pela metodologia seja pelas categorias de análise.
Formada em física, sempre se preocupou com a tecnologia e sua incidência no destino humano. Agora, no avançado dos anos e após muitas pesquisas e manejando mole imensa de fontes, informações e autores nos entrega um livro-síntese com o titulo Os avanços tecnológicos e o futuro da humanidade: querendo ser Deus? É uma publicação da Editora Vozes de Petrópolis da qual foi por 17 anos diretora editorial.
O subtítulo ‘Querendo ser Deus?’ define a perspectiva de sua análise e ao mesmo tempo faz ecoar uma denúncia contra o tipo de ciência e de tecnologia dominantes na história. Na verdade, faz um soberano rastreamento histórico da tecnologia desde os alvores da humanidade quando há mais de dois milhões de anos surgiu o homo faber, aquele que, por primeiro, utilizou o instrumento para se impor à natureza, passando pelos vários períodos históricos com suas respectivas revoluções até chegar aos tempos contemporâneos da engenharia genética, da robótica, da nanotecnologia, da biologia sintética para culminar na fusão entre homem e máquina.
O que Rose nos mostra, ao longo de seu livro, é o calvário da Terra e a lenta e progressiva crucificação da vida e da natureza através do poder da tecnociência, posta a serviço da vontade de poder na sua concretização mais crua e cruel no capital/dinheiro.
Mas nem sempre foi assim. Primitivamente o saber e a técnica estavam a serviço da solidariedade e da partilha, atendendo as demandas humanas e aliviando o peso da vida. Mas do momento em que surgiu a moeda e ela se fez a mediação exclusiva para todas as trocas e se transformou ela mesma em mercadoria com preço (juros) se produz uma perversa revolução. Passa-se da cooperação para a competição, do cuidado para a agressividade. O que vige então é o ganha/perde e não o ganha/ganha. A sociedade é conflitiva com exércitos, muitas guerras e grandes mortandades.
Os senhores do dinheiro sujeitam a si as pessoas, controlam a sociedade e decidem que saber e que técnica cabe desenvolver para reforçar seu poder. Não se produz para a vida mas para o mercado. Não se inventa para a sociedade mas para o lucro.
O atual projeto da tecnociência acelerou enormemente a história. Em cem anos a humanidade caminhou mais do que nos dois milhões de anos anteriores. Esta velocidade estonteou a mente e está gerando uma verdadeira mutação humana, somente comparável àquela ocorrida na evolução biológica multimilenar. Cientistas projetam introduzir nanopartículas na corrente sanguínea do cérebro para gestar uma inteligência supra-humana.
Emergiria assim um híbrido de ser humano e máquina, bifurcando a humanidade entre os melhorados e os não melhorados.
É contra esse intento que se insurge Rose Marie Muraro, pois ele configura suprema arrogância e atualização da antiga tentação bíblica do sereis como Deus.
O ser humano, por mais que queira, jamais superará os limites de sua natureza. Só uma ciência com consciência, servirá à vida e garantirá o futuro da Terra. A autora propugna por moedas complementares, por um consumo compassivo e reciclável, por uma revolução radical de dentro para fora e de baixo para cima, no jogo do ganha/ganha, como forma de sair com êxito do cipoal em que nos enredamos. A frase final de seu brilhante livro é esperançadora: “Quando desistirmos de ser deuses poderemos ser plenamente humanos, o que ainda não sabemos o que é mas que intuímos desde sempre”.
[Autor, em parceria com Rose Marie Muraro, Feminino/Masculino: uma nova consciência para o encontro das diferenças, Sextante 2002].
* Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor.
(Envolverde/O autor)
(Envolverde/O autor)
Fonte: ENVOLVERDE
0
0
Avalie isso
Assinar:
Postagens (Atom)
