O que está por trás da estranha estratégia da Universal (mentora e mantenedora da Record) de exigir dos seus pastores a vasectomia e agora com a apologia do aborto?
Coleção de textos cristãos e artigos diversos contextualizando as verdades bíblicas para as realidades da nossa sociedade,visando oferecer respostas ou criar questionamentos
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Pastores com sabedoria e erudição
Posted: 20 Oct 2009 06:00 AM PDT
Por Vitor Pereira O período histórico em que a Igreja Cristã se mostrou mais saudável, sem dúvidas, foi o período registrado no livro de Atos e, justamente por isso, é desse período que devemos buscar o modelo de Igreja mais apropriado. Mas ao compararmos as práticas dessa Igreja de 2000 anos atrás com a Igreja contemporânea, [...]
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009
O Espírito que se doa, se reparte e repousa
No livro de Atos, capítulo 2, temos a descrição de um Pentecostes diferente. Nesta festa, comemorada pelos judeus anualmente, havia uma ligação com as questões agrícolas e as colheitas dos primeiros frutos da terra.
Neste dia de festa, pela narração de Lucas, temos um evento diferente. Estavam todos reunidos e de repente um som, como de um forte vento, se fez ouvir. Línguas como que de fogo, pousam sobre todos os presentes e, daí, todos passam a falar de forma diferente, inspirados pelo Espírito Santo.
Podemos fazer algumas considerações sobre o texto:
1) Aconteceu ali um milagre sem precedentes na história de Israel
Todos os estrangeiros presentes na cidade entendiam perfeitamente o que aquelas pessoas falavam. Foi o primeiro evento com "tradução simultânea" da história.
Aconteceu ali exatamente o oposto do que aconteceu na história da Torre de Babel. Na construção da Torre, que visava um alcance universal, para sacramentar o afastamento de Deus, as línguas foram confundidas para frustrar um propósito humano. No dia de Pentecostes relatado, as línguas foram unidas para universalizar um propósito divino.
2) Os símbolos apontam para a memória de Deus nos presentes
Aquelas pessoas reunidas ali sabiam que Deus se fazia presente no meio do seu povo por meio da sua ruah, do seu espírito, do seu vento, palavras que teriam o mesmo significado.
O fogo, desde sempre se fez presente na história das civilizações, associado às questões do sagrado e das divindades. Os vizinhos de Israel tinham seus cultos com a presença do fogo, com sacrifícios humanos muitas vezes, como com o deus Moloque, a quem eram oferecidas crianças para serem engolidas por uma gaveta em chamas.
O fogo de Deus presente nestas línguas apontou para o Deus da vida e não da morte, todo sacrifício tornou-se inválido diante daquele que queima para purificar, e não para matar.
3) As línguas de fogo
São "metáforas visuais", apontando para a grande capacitação que o Espírito trazia sobre eles naquele momento. A possibilidade de falar como testemunhas autorizadas do mistério da reconciliação dos homens com Deus. Como resultado disto, Pedro levantasse dentre os irmãos e esclarece com autoridade e ousadia o que estava acontecendo; foi o primeiro "sermão" da Igreja.
4) As línguas se repartem
No livro de Números, cap. 11, vemos Moisés acossado pela comunidade no deserto. Uma grande choradeira e murmurações variadas o levam quase ao desespero; sente-se solitário e impotente. Deus responde ao seu clamor dizendo que "repartiria" o Espírito que estava sobre ele com outros 70 anciãos respeitáveis de Israel, e assim foi feito. Alguns destes anciãos, no momento da "partilha", estavam fora do arraial, mas também foram visitados por esta unção. Ao perceber o ocorrido, Josué aborda Moisés insatisfeito, afinal os anciãos que não estavam ali no momento, também profetizaram, fora do arraial, e seria prudente proibir isso. Moisés responde pacificamente: "Quem dera que todo povo do Senhor fosse profeta, que Deus lhes concedesse do seu Espírito".
Esta oração-suspiro-lamento de Moisés se cumpriu neste dia. As línguas foram repartidas entre todos; todo o povo presente ali foi marcado, todos profetizaram, o Espírito foi socializado, acabava a era dos "ungidos privilegiados".
5) As línguas repousaram estavelmente
A profecia de Isaías 11, ao descrever o Messias, tem sua imagem ampliada na comunidade: "Repousará sobre ele o Espírito do Senhor". O Espírito que atua de forma tranquila, sem justificar exageros, comportamentos extremos, violência; aponta para o fruto, para a mansidão da sua presença.
Não seria presença do Espírito apenas em situações especiais de perigo, de livramentos, de ataques dos inimigos; mas presença estável, constante, no cotidiano, em qualquer lugar, para sempre.
Esta "presença estável" em todos seria o foco da unidade, como declarou Paulo: "Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as como lhe convém, a cada um, individualmente." (I Co 10,6)
6) O Espírito se apossa de quem é invadido por Ele
Uma característica do Antigo Testamento, sobre a atuação do Espírito, é que este transformava as pessoas que ungia. Sobre Saul foi profetizado: "O Espírito do Senhor se apossará de ti (te inspirará) e profetizarás (...) e serás mudado em outro homem" (I Sm 10,6). Sobre Davi, quando separado para ser o futuro rei de Israel, temos este relato: "Samuel tomou o chifre de azeite e o ungiu (a Davi) no meio de seus irmãos e, daquele dia em diante, o Espírito do Senhor se apossou dele (o invadiu)." (I Sm 16,13).
CONCLUSÃO
No dia de Pentecoste, no momento da plenitude dos tempos iniciado em Jesus, Deus se doa de forma intensa, se reparte, se apossa; veio para repousar de forma estável "em toda a carne". É verdadeiramente como Caio Fábio descreve em seu livro sobre o Espírito Santo: "O Deus que vive em nós".
Luciano Oliveira
domingo, 18 de outubro de 2009
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Sobre cristãos nas Escolas e Universidades
Posted: 16 Oct 2009 10:51 AM PDT
Fernanda B. Lobato Todo jovem sabe que declarar-se evangélico na universidade é quase como carregar uma placa dizendo “chute-me”. Pode parecer exagero, mas é fácil perceber como as lutas desenvolvidas por vários grupos sociais no espaço da universidade sempre se voltam a debater o que eles consideram a “atrasada e repressiva moral cristã”, inimiga das liberdades [...]
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Rubem Alves sobre Marina e a volta da esperança
Posted: 13 Oct 2009 12:00 PM PDT
O VINICIUS ESCREVEU um poema intitulado "O Haver". O "Haver" era o nome de uma página dos antigos livros de contabilidade onde se registrava o que havia sobrado, o ganho, o "a receber", por oposição ao "Deve", onde se registravam as dívidas, o que deveria ser pago. É um poema de velhice, balanço do que sobrou na vida.
Eu também já estou no tempo de fazer o balanço entre as dívidas e os haveres. Minha vida se divide em três fases. Na primeira fase, o meu mundo era do tamanho do universo e era habitado por deuses, verdades e absolutos. A esperança que eu escrevia na página do "Haver" era do tamanho da luz do sol ao meio-dia.
Na segunda fase, meus haveres encolheram. Meu mundo passou a ser habitado por heróis revolucionários que portavam armas e cantavam canções de transformar o mundo. A esperança que iluminava o universo passou a iluminar apenas os horizontes da história.
Na terceira fase, mortos os deuses, mortos os heróis, mortas as esperanças teológicas e políticas, fiquei pobre de verdade e o meu mundo se encolheu mais ainda -e chegou não à sua verdade final, mas à sua esperança final, que teima em se alegrar com coisas pequenas.
A esperança é a última que morre. O Vinicius reconheceu essa chama entre os seus haveres e a chamou de "pequenina luz indecifrável a que às vezes os poetas dão o nome de esperança".
Diferente do otimismo. O otimismo é "sorriso por causa de", quando há razões para sorrir. A esperança é "sorriso a despeito de", quando não há mais razões para sorrir.
A imagem que o Vinicius escolheu para descrever sua pequena esperança é comovente: "Resta esse coração queimando como um círio numa catedral em ruínas, essa tristeza diante do cotidiano; ou essa súbita alegria ao ouvir passos na noite que se perdem sem história".
Álvaro de Campos escreveu um verso bruto: "E a luxúria única de já não ter esperanças?" Não ter esperança é estar em paz, não ter causas por que lutar, o fim do esforço... Viver o presente, o presente apenas, como se o futuro já não se anunciasse, como se fosse inútil saber o que ele anuncia.
A luz do círio aceso se transforma em sombras fantasmagóricas nas paredes arruinadas daquilo que, no passado, foi uma catedral onde moravam os deuses. Muitos deuses e muitos heróis moraram dentro de mim. Hoje, não sei onde se meteram... Sou uma catedral em ruínas... Mas aí eu ouço passos na noite...
Olho e vejo que alguém, no escuro, carrega uma chama. Me animo. Escrevo: é o meu jeito de soprar cinzas. Meu círio se acende. Fico alegre. A luz põe alegria no olhar.
O que é um olhar? O olhar não se encontra nos olhos. Não adianta olhar fundo nos olhos. O olhar não está lá. Foi Sartre que disse que "o olhar do outro esconde os seus olhos." Cecília Meireles confirma: "O sentido está guardado no rosto com que te miro". Não os olhos; o rosto... Os olhos, retirados do rosto, são peças anatômicas sinistras. O segredo do seu olhar mora no rosto com que miro você.
Quero ver o seu olhar, Marina. Quero ver o seu rosto, onde mora o sentido, e não dois olhos retirados do seu rosto. O seu rosto, moldura dos seus olhos, fala mais e diferente que os seus olhos. Não quero ver os seus olhos na televisão. Quero ver o seu rosto, onde mora o seu olhar...
Rubem Alves, na Folha de S.Paulo.
Eu também já estou no tempo de fazer o balanço entre as dívidas e os haveres. Minha vida se divide em três fases. Na primeira fase, o meu mundo era do tamanho do universo e era habitado por deuses, verdades e absolutos. A esperança que eu escrevia na página do "Haver" era do tamanho da luz do sol ao meio-dia.
Na segunda fase, meus haveres encolheram. Meu mundo passou a ser habitado por heróis revolucionários que portavam armas e cantavam canções de transformar o mundo. A esperança que iluminava o universo passou a iluminar apenas os horizontes da história.
Na terceira fase, mortos os deuses, mortos os heróis, mortas as esperanças teológicas e políticas, fiquei pobre de verdade e o meu mundo se encolheu mais ainda -e chegou não à sua verdade final, mas à sua esperança final, que teima em se alegrar com coisas pequenas.
A esperança é a última que morre. O Vinicius reconheceu essa chama entre os seus haveres e a chamou de "pequenina luz indecifrável a que às vezes os poetas dão o nome de esperança".
Diferente do otimismo. O otimismo é "sorriso por causa de", quando há razões para sorrir. A esperança é "sorriso a despeito de", quando não há mais razões para sorrir.
A imagem que o Vinicius escolheu para descrever sua pequena esperança é comovente: "Resta esse coração queimando como um círio numa catedral em ruínas, essa tristeza diante do cotidiano; ou essa súbita alegria ao ouvir passos na noite que se perdem sem história".
Álvaro de Campos escreveu um verso bruto: "E a luxúria única de já não ter esperanças?" Não ter esperança é estar em paz, não ter causas por que lutar, o fim do esforço... Viver o presente, o presente apenas, como se o futuro já não se anunciasse, como se fosse inútil saber o que ele anuncia.
A luz do círio aceso se transforma em sombras fantasmagóricas nas paredes arruinadas daquilo que, no passado, foi uma catedral onde moravam os deuses. Muitos deuses e muitos heróis moraram dentro de mim. Hoje, não sei onde se meteram... Sou uma catedral em ruínas... Mas aí eu ouço passos na noite...
Olho e vejo que alguém, no escuro, carrega uma chama. Me animo. Escrevo: é o meu jeito de soprar cinzas. Meu círio se acende. Fico alegre. A luz põe alegria no olhar.
O que é um olhar? O olhar não se encontra nos olhos. Não adianta olhar fundo nos olhos. O olhar não está lá. Foi Sartre que disse que "o olhar do outro esconde os seus olhos." Cecília Meireles confirma: "O sentido está guardado no rosto com que te miro". Não os olhos; o rosto... Os olhos, retirados do rosto, são peças anatômicas sinistras. O segredo do seu olhar mora no rosto com que miro você.
Quero ver o seu olhar, Marina. Quero ver o seu rosto, onde mora o sentido, e não dois olhos retirados do seu rosto. O seu rosto, moldura dos seus olhos, fala mais e diferente que os seus olhos. Não quero ver os seus olhos na televisão. Quero ver o seu rosto, onde mora o seu olhar...
Rubem Alves, na Folha de S.Paulo.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
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