segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O Espírito que se doa, se reparte e repousa

No livro de Atos, capítulo 2, temos a descrição de um Pentecostes diferente. Nesta festa, comemorada pelos judeus anualmente, havia uma ligação com as questões agrícolas e as colheitas dos primeiros frutos da terra.
Neste dia de festa, pela narração de Lucas, temos um evento diferente. Estavam todos reunidos e de repente um som, como de um forte vento, se fez ouvir. Línguas como que de fogo, pousam sobre todos os presentes e, daí, todos passam a falar de forma diferente, inspirados pelo Espírito Santo.
Podemos fazer algumas considerações sobre o texto:

1) Aconteceu ali um milagre sem precedentes na história de Israel

Todos os estrangeiros presentes na cidade entendiam perfeitamente o que aquelas pessoas falavam. Foi o primeiro evento com "tradução simultânea" da história.
Aconteceu ali exatamente o oposto do que aconteceu na história da Torre de Babel. Na construção da Torre, que visava um alcance universal, para sacramentar o afastamento de Deus, as línguas foram confundidas para frustrar um propósito humano. No dia de Pentecostes relatado, as línguas foram unidas para universalizar um propósito divino.

2) Os símbolos apontam para a memória de Deus nos presentes

Aquelas pessoas reunidas ali sabiam que Deus se fazia presente no meio do seu povo por meio da sua ruah, do seu espírito, do seu vento, palavras que teriam o mesmo significado.
O fogo, desde sempre se fez presente na história das civilizações, associado às questões do sagrado e das divindades. Os vizinhos de Israel tinham seus cultos com a presença do fogo, com sacrifícios humanos muitas vezes, como com o deus Moloque, a quem eram oferecidas crianças para serem engolidas por uma gaveta em chamas.
O fogo de Deus presente nestas línguas apontou para o Deus da vida e não da morte, todo sacrifício tornou-se inválido diante daquele que queima para purificar, e não para matar.

3) As línguas de fogo

São "metáforas visuais", apontando para a grande capacitação que o Espírito trazia sobre eles naquele momento. A possibilidade de falar como testemunhas autorizadas do mistério da reconciliação dos homens com Deus. Como resultado disto, Pedro levantasse dentre os irmãos e esclarece com autoridade e ousadia o que estava acontecendo; foi o primeiro "sermão" da Igreja.

4) As línguas se repartem

No livro de Números, cap. 11, vemos Moisés acossado pela comunidade no deserto. Uma grande choradeira e murmurações variadas o levam quase ao desespero; sente-se solitário e impotente. Deus responde ao seu clamor dizendo que "repartiria" o Espírito que estava sobre ele com outros 70 anciãos respeitáveis de Israel, e assim foi feito. Alguns destes anciãos, no momento da "partilha", estavam fora do arraial, mas também foram visitados por esta unção. Ao perceber o ocorrido, Josué aborda Moisés insatisfeito, afinal os anciãos que não estavam ali no momento, também profetizaram, fora do arraial, e seria prudente proibir isso. Moisés responde pacificamente: "Quem dera que todo povo do Senhor fosse profeta, que Deus lhes concedesse do seu Espírito".
Esta oração-suspiro-lamento de Moisés se cumpriu neste dia. As línguas foram repartidas entre todos; todo o povo presente ali foi marcado, todos profetizaram, o Espírito foi socializado, acabava a era dos "ungidos privilegiados".

5) As línguas repousaram estavelmente

A profecia de Isaías 11, ao descrever o Messias, tem sua imagem ampliada na comunidade: "Repousará sobre ele o Espírito do Senhor". O Espírito que atua de forma tranquila, sem justificar exageros, comportamentos extremos, violência; aponta para o fruto, para a mansidão da sua presença.
Não seria presença do Espírito apenas em situações especiais de perigo, de livramentos, de ataques dos inimigos; mas presença estável, constante, no cotidiano, em qualquer lugar, para sempre.
Esta "presença estável" em todos seria o foco da unidade, como declarou Paulo: "Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as como lhe convém, a cada um, individualmente." (I Co 10,6)

6) O Espírito se apossa de quem é invadido por Ele

Uma característica do Antigo Testamento, sobre a atuação do Espírito, é que este transformava as pessoas que ungia. Sobre Saul foi profetizado: "O Espírito do Senhor se apossará de ti (te inspirará) e profetizarás (...) e serás mudado em outro homem" (I Sm 10,6). Sobre Davi, quando separado para ser o futuro rei de Israel, temos este relato: "Samuel tomou o chifre de azeite e o ungiu (a Davi) no meio de seus irmãos e, daquele dia em diante, o Espírito do Senhor se apossou dele (o invadiu)." (I Sm 16,13).

CONCLUSÃO

No dia de Pentecoste, no momento da plenitude dos tempos iniciado em Jesus, Deus se doa de forma intensa, se reparte, se apossa; veio para repousar de forma estável "em toda a carne". É verdadeiramente como Caio Fábio descreve em seu livro sobre o Espírito Santo: "O Deus que vive em nós".


Luciano Oliveira

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Sobre cristãos nas Escolas e Universidades

Dando a cara a tapa

Posted: 16 Oct 2009 10:51 AM PDT

Fernanda B. Lobato Todo jovem sabe que declarar-se evangélico na universidade é quase como carregar uma placa dizendo “chute-me”. Pode parecer exagero, mas é fácil perceber como as lutas desenvolvidas por vários grupos sociais no espaço da universidade sempre se voltam a debater o que eles consideram a “atrasada e repressiva moral cristã”, inimiga das liberdades [...]

Para ler o texto completo clique no link acima.

Rubem Alves sobre Marina e a volta da esperança

Querida Marina...

Posted: 13 Oct 2009 12:00 PM PDT

O VINICIUS ESCREVEU um poema intitulado "O Haver". O "Haver" era o nome de uma página dos antigos livros de contabilidade onde se registrava o que havia sobrado, o ganho, o "a receber", por oposição ao "Deve", onde se registravam as dívidas, o que deveria ser pago. É um poema de velhice, balanço do que sobrou na vida.

Eu também já estou no tempo de fazer o balanço entre as dívidas e os haveres. Minha vida se divide em três fases. Na primeira fase, o meu mundo era do tamanho do universo e era habitado por deuses, verdades e absolutos. A esperança que eu escrevia na página do "Haver" era do tamanho da luz do sol ao meio-dia.

Na segunda fase, meus haveres encolheram. Meu mundo passou a ser habitado por heróis revolucionários que portavam armas e cantavam canções de transformar o mundo. A esperança que iluminava o universo passou a iluminar apenas os horizontes da história.

Na terceira fase, mortos os deuses, mortos os heróis, mortas as esperanças teológicas e políticas, fiquei pobre de verdade e o meu mundo se encolheu mais ainda -e chegou não à sua verdade final, mas à sua esperança final, que teima em se alegrar com coisas pequenas.

A esperança é a última que morre. O Vinicius reconheceu essa chama entre os seus haveres e a chamou de "pequenina luz indecifrável a que às vezes os poetas dão o nome de esperança".

Diferente do otimismo. O otimismo é "sorriso por causa de", quando há razões para sorrir. A esperança é "sorriso a despeito de", quando não há mais razões para sorrir.

A imagem que o Vinicius escolheu para descrever sua pequena esperança é comovente: "Resta esse coração queimando como um círio numa catedral em ruínas, essa tristeza diante do cotidiano; ou essa súbita alegria ao ouvir passos na noite que se perdem sem história".

Álvaro de Campos escreveu um verso bruto: "E a luxúria única de já não ter esperanças?" Não ter esperança é estar em paz, não ter causas por que lutar, o fim do esforço... Viver o presente, o presente apenas, como se o futuro já não se anunciasse, como se fosse inútil saber o que ele anuncia.

A luz do círio aceso se transforma em sombras fantasmagóricas nas paredes arruinadas daquilo que, no passado, foi uma catedral onde moravam os deuses. Muitos deuses e muitos heróis moraram dentro de mim. Hoje, não sei onde se meteram... Sou uma catedral em ruínas... Mas aí eu ouço passos na noite...

Olho e vejo que alguém, no escuro, carrega uma chama. Me animo. Escrevo: é o meu jeito de soprar cinzas. Meu círio se acende. Fico alegre. A luz põe alegria no olhar.

O que é um olhar? O olhar não se encontra nos olhos. Não adianta olhar fundo nos olhos. O olhar não está lá. Foi Sartre que disse que "o olhar do outro esconde os seus olhos." Cecília Meireles confirma: "O sentido está guardado no rosto com que te miro". Não os olhos; o rosto... Os olhos, retirados do rosto, são peças anatômicas sinistras. O segredo do seu olhar mora no rosto com que miro você.

Quero ver o seu olhar, Marina. Quero ver o seu rosto, onde mora o sentido, e não dois olhos retirados do seu rosto. O seu rosto, moldura dos seus olhos, fala mais e diferente que os seus olhos. Não quero ver os seus olhos na televisão. Quero ver o seu rosto, onde mora o seu olhar...

Rubem Alves, na Folha de S.Paulo.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

É tudo sobre Ele

É tudo sobre Ele

Jesus é o verdadeiro e melhor Adão, que passou pelo teste no jardim e cuja obediência é imputada a nós.

Jesus é o verdadeiro e melhor Abel que, apesar de inocentemente morto, possui o sangue que clama, não para nossa condenação, mas para completa absolvição.

Jesus é o verdadeiro e melhor Abraão que respondeu ao chamado de Deus para deixar todo o conforto e a família e saiu para o vazio sem saber para onde ia, a fim de criar um novo povo de Deus.

Jesus é o verdadeiro e melhor Isaque, que foi não somente oferecido pelo Seu Pai no monte, mas foi verdadeiramente sacrificado por nós. E assim como Deus disse a Abraão, “agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho”, nós também podemos olhar para Deus levando Seu Filho até o alto do monte e sacrificando-o, e então dizer, “Agora nós sabemos que Tu nos amas porque não retiveste Teu Filho, Teu único Filho a quem Tu amas, de nós.”

Jesus é o verdadeiro e melhor Jacó que lutou e sofreu o golpe de justiça que merecíamos, de forma que nós, assim como Jacó, só recebêssemos as feridas da graça para nos despertar e disciplinar.

Jesus é o verdadeiro e melhor José que, à destra do rei, perdoa àqueles que o venderam e traíram e usa o seu novo poder para salvá-los.

Jesus é o verdadeiro e melhor Moisés que se põe na brecha entre o povo e Deus e que é mediador de uma nova aliança.

Jesus é a verdadeira e melhor Rocha de Moisés que, golpeada com a vara da justiça de Deus, agora nos dá água em pleno deserto.

Jesus é o verdadeiro e melhor Jó, sofredor verdadeiramente inocente, que então intercede e salva os seus tolos amigos.

Jesus é o verdadeiro e melhor Davi, cuja vitória torna-se a vitória do Seu povo, apesar deles nunca terem movido uma única pedra para conquistá-la.

Jesus é a verdadeira e melhor Ester que não apenas arriscou deixar um palácio terreno, mas perdeu o definitivo e divino; que não apenas arriscou sua vida, mas entregou-a para salvar o Seu povo.

Jesus é o verdadeiro e melhor Jonas que foi lançado para fora, na tempestade, para que nós pudéssemos ser trazidos para dentro.

Jesus é a verdadeira Rocha de Moisés, o verdadeiro Cordeiro pascal, inocente, perfeito, desamparado, sacrificado para que o anjo da morte não atentasse contra nós. Ele é o verdadeiro templo, o verdadeiro profeta, o verdadeiro sacerdote, o verdadeiro rei, o verdadeiro sacrifício, o verdadeiro cordeiro, a verdadeira luz, o verdadeiro pão.

A Bíblia definitivamente não é sobre você e eu. É sobre Ele.

Nota do Tradutor: Em 2006 Tim Keller pregou na Resurgence Conference sobre pregar o Evangelho e mostrou a importância de fazer com que toda e qualquer pregação aponte para Cristo porque é para lá que toda a Bíblia aponta. De repente, já mais para o final da pregação, ele começou a recitar uma série de frases sobre Jesus que, juntas, produziram um profundo efeito em todos os presentes e foram rapidamente transcritas e começaram a ser publicadas em inúmeros blogs mundo afora. O texto acima é uma tentativa de traduzir o que ele disse. Não se compara ao efeito produzido quando ele as disse no contexto da sua palestra. Por isso, recomendo que você assista ou ouça, caso você consiga entender bem o inglês. E lembre-se: é tudo sobre Ele.

Fonte: Extraído do blog do Justin Taylor – Between Two Worlds

Tradução: centurio

Fonte: BOM CAMINHO

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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Pastores evangélicos acusam crianças de bruxaria

Um dos vídeos mais chocantes que já pude ver. O olhar sofrido dessas crianças é de comover o coração mais endurecido. Que evangelho covarde é esse?